Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo — que foi? passou — de tantas estrelas cadentes.
A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.
As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
— Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
(Manuel Bandeira)
Não é contradição. Eu só te quero o tempo todo mas não sei como faço pra te ter. Então, eu também me calo. Mas aqui dentro já te procurei um milhão de vezes só no último segundo. E no próximo, serão dois milhões de mim gritando o teu nome no silêncio. Esse eco dos diabos que fica te repetindo, repetindo. Até parece que sabe como é lindo chamar e ouvir o teu nome.
Epigrafar
(Source: epigrafar)
num resto de pele. eu me sinto. com você. num resto de pele, que é como uma asa transparente de fada foda, eu simplesmente me sinto. e é você que faz isso. fada foda. que me olha sem olhar. num maldito clichê de não com não. sabendo que, ao não me olhar, acaba olhando. você me olha. eu não acredito. e só me sinto.
- J.Castro
(Source: poesiadomilhao, via saturnismos)
não serei aspirina pro teu coração castigado e dolorido;
tampouco morfina para a dor proveniente da falta do sentir, alojada em tuas entranhas; me recuso a ser paliativo pra tu’alma cansada,
eu sou bem mais do que isso.
no teu peito há um espaço vago pedindo pra que eu fique, abra as janelas e deixe o ar entrar; o teu mistério me intriga, mas eu sinto, de alguma forma, que ando sempre de saída.
não estou de passagem, meu efeito é mais duradouro,
eu gosto de modificar as coisas,
me recuso a ser teu alívio, teu pequeno vício,
eu sou bem mais do que isso.
não serei um torniquete,
pra estancar a sangria do teus poros desidratados de amor;
tampouco alternativa para a tua solidão tão disposta a sobreviver,
eu sou bem mais do que isso.
quero ser teu precipício, tua liberdade, teu reinicio.
Kelven Figueiredo acompanhado de Elisa Bartlett.
(Source: r-etalho, via oxigenio-dapalavra)
Eu sei que atrás deste universo de aparências
das diferenças todas, a esperança é preservada.
Nas xícaras sujas de ontem o café de cada manhã é servido,
mas existe uma palavra que eu não suporto ouvir
e dela não me conformo.
Eu acredito em tudo, mas eu quero você agora.
Eu te amo pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes
pelas tuas loucuras todas, minha vida.
Eu amo as tuas mãos, mesmo que por causa delas eu não saiba o que fazer das minhas.
Amo teu jogo triste.
As tuas roupas sujas é aqui em casa que eu lavo.
Eu amo a tua alegria,
Mesmo fora de si, eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você poderai ter sido,
se a maré das circunstâncias não tivesse te banhado nas águas do equívoco.
Eu te amo nas horas infernais e na vida sem tempo,
quando sozinha eu bordo mais uma toalha de fim de semana.
Eu te amo pelas crianças e futuras rugas,
eu te amo pelas tuas ilusões perdidas e pelos teus sonhos inúteis.
Amo teu sistema de vida e morte.
Eu te amo pelo que se repete e que nunca é igual.
Eu te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras,
Eu te amo desde os teus pés até o que te escapa.
Eu te amo de alma para alma,
e mais que as palavras,
ainda que seja através delas que eu me defenda
quando digo que te amo mais que o silêncio dos momentos difíceis
quando o próprio amor vacila.
(Fernando Pessoa)
“Amor vem de amor. Vem de longe, vem no escuro, brota que nem mato que dispensa cuidado e cresce com a mais remota chuva. Vem de dentro e fundo e com urgência. Amor vem de amor. Que não cabe, mas assim mesmo a gente guarda. A gente empurra, dobra, faz força, deixa amassado num canto, no peito, no escuro, dentro, ou larga pegando sereno. Amor vem de amor. Vem do pedaço mais feio, do mais sem palavra, do triste, vem de mãos estendidas. É tecido desfeito pelo tempo, amarelecido pelo tempo, pelo cheiro da gaveta fechada, pelo riscado do sol na madeira. Amor vem de amor. Vem de coisa que arrebata, vira chão, terra, cisco, resto, rastro, coisa para sempre varrida. É delicadeza viva forte violenta. Que faz doer, partir, deixar caído. Amor vem de amor. E dói bonito.”
Guimarães Rosa.
(Source: a-nseios, via momentosdefuga)
Como é que a gente pode ser tanta coisa indefinível
Tanta coisa diferente
Sem saber que a beleza de tudo
É a certeza de nada
E que o talvez torne a vida um pouco mais atraente
(Source: epigrafar, via oxigenio-dapalavra)
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser… sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda.
(Source: escreviador, via ohquei-deactivated20160223)
Certa vez me pediram para desenhar o que é a felicidade.
Não o fiz. Preferi fazer um barquinho de papel com a folha em branco e o guardei em minha mochila. Esperei para libertá-lo na próxima chuva, em um daqueles riozinhos caudalosos que correm lado a lado com a rua, apostando corrida com os carros.
Me pareceu uma boa ideia e escolhi não pensar tanto sobre isso. Até hoje, ainda não me arrependi.
Mas ainda espero pelo dia em que, a felicidade, virá para acertar contas comigo.
Apesar de a felicidade ser liberdade, acabei molhando a sua imagem, quase sem querer.
-Rodrigo Passos
(via letra-morta-deactivated20180122)

